quarta-feira, 24 de março de 2010

Falta em excesso

Você me chamaria de louco se eu dissesse que já estou com saudade sua, mesmo tendo pouco menos de uma hora que te deixei na porta do ônibus? Se a resposta for positiva, pode preparar a garganta para me chamar de doido varrido, pois é isso que estou sentindo agora, esta coisa grande como o meu amor, que implora pela sua presença, ainda que sua ausência me faça companhia.

Não, não é saudade. É falta o que sinto de você – e sinto em excesso. E o excesso é tão grande que enche o meu vazio de você, transformando-o em um monte de espacinhos, onde eu fico, feito um bobo, desenhando teu sorriso. Porque só o que você vem de você é capaz de colorir esta minha aquarela, tão desbotada pela ação dos muitos sorrisos que já desperdicei na tentativa de me pintar por dentro.

Quando você se afasta, meu sorriso perde um pouco a graça. Se você não estiver me assistindo, meu programa sai do ar e a plateia do meu coração grita pedindo mais. Se você não estiver me lendo, meu texto perde a coesão e a coerência: pontuo onde deveria pausar, insiro vírgulas onde deveria exclamar, crio parágrafos onde deveria encerrar. E se você não me ouve, minha voz deixa de ser canção e torna-se desafinada, deixa de ser som suave e se transforma em canto daquelas bandas jovens que gritam demais.

Me empresta seu abraço pra eu me aquecer? Me empresta seu peito pra eu morar? Me empresa seu sorriso pra eu brilhar? Me empresta sua força pra eu vencer? Me empresta seu medo pra eu ter coragem de te enfrentar? Eu só queria que você sentisse o quanto eu sinto por saber que você tem medo de se enxergar através de mim. Porque não, definitivamente, você não tem medo de mim: você tem medo é de você.

Vem, eu te ajudo a vencer. Eu preencho este seu rascunho e te transformo em arte final, revisada, pronta para enfeitar a vida. Deixa que eu te rabisco, conserto, enfeito. Mas, me dá o pincel? Teu olhar é o pincel! Me dá o tom? Tua voz é a melodia. Me dá o fogo? Teu beijo é a fogueira. Me dá o calor? Teu abraço é o lugar mais aquecido do mundo.

Encho esta página em branco com estas palavras porque ao menos elas se deixam preencher por mim. Queria, na verdade, estar recheando o teu coração, tão cheio de marcas e de poços profundos, dos quais ouço você gritar, em silêncio, por ajuda. Estou aqui, meu amor. Eu ouço o que você não diz.

A falta que sinto de você me deixa excessivamente piegas. É mesmo coisa de doido varrido sentir algo em um mundo onde as pessoas mais parecem robôs, produzindo sentimentos em série, tão mecânicos quanto um carro. Por que nos descartamos como uma latinha de Coca Cola?

Recuso o refrigerante gelado, os agitos mais badalados, os melhores filmes. Por mais que eu insista, minha alegria vem sempre fracionada, meu contentamento nunca chega completo. Te quero, portanto, porque não agüento mais fazer festa pela metade.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Feliz aniversário

No próximo dia 22 é meu aniversário. Meus documentos me dizem que completarei 20 anos, mas o tempo de vida que tenho, realmente, ninguém sabe. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto.

A frase anterior é mais uma das tantas definições precisas de Mário Quintana, que, devido a atemporalidade de sua obra, morreu mas permanece vivo, possui as duas idades que reconhecia. Geralmente, nós acreditamos que a data do nosso aniversário é a ideal para zerar nossos dias, para recomeçar. No entanto, se tivéssemos um olhar um pouco mais atento, perceberíamos que dá pra nascer de novo todos os dias. Basta desaprender o velho receio de mudar.

Ao contrário do que todos pensam, faço aniversário cada vez que me permito nascer para uma nova ideia ou pensamento, cada vez que avanço a rumo a uma parte de mim que desconheço. Aniversario todos os dias em que vivo minha vida de um jeito diferente, em que não me deixo aprisionar por um tempo que só existe quando é construído por mim. Faço aniversário às segundas e sextas, de vez em quando às quartas e quintas: completo um ano sempre que fecho um ciclo e inicio um outro, ciente de que, o que não foi, não deve atrapalhar o que ainda pode ser.

Meu aniversário é um mistério até pra mim: acontece quando menos espero, mas sempre sinto que evoluí quando este processo se dá. Cada vez que fujo do olhar acostumado que costumamos lançar sobre as pessoas, e descubro nelas algo que é novo e nunca será velho, canto os parabéns para mim. Conhecer um lugar diferente, ser diferente no lugar de sempre, se reapaixonar todos os dias por uma mesma pessoa, surpreender com um torpedo alguém que se ama, caminhar por uma mesma rua e reconhecer nela detalhes antes nunca vistos: todas essas são formas de aniversariar antes do previsto.

Nossos aniversários mais verdadeiros e transformadores acontecem no sigilo, dentro do quarto, apenas na companhia de si próprio. Podem acontecer também dentro de um momento que tempo nenhum apaga, dentro de um abraço que frio nenhum é capaz de congelar. Dentro de nós mesmos.

Acreditar que só existe um dia no ano propício ao recomeço é muita perda de tempo, e, como deveríamos saber, perder tempo é um insulto à vida. Portanto, feliz aniversário para aqueles que têm a coragem de nascer de novo todos os dias.

terça-feira, 9 de março de 2010

A vida numa montanha russa

No último fim de semana, fui com algumas pessoas muito queridas a um parque de diversões em São Paulo. Milhares de jovens se aglomeravam nas filas que davam acesso às diversas atrações do Hopi Hari. Eu, já tão acostumado com a adrenalina que é viver dentro de mim, resolvi encarar o desafio de embarcar nos trilhos e curvas alucinantes da montanha russa.

Quando me sentei no carrinho, pensei: “Em que roubada eu fui me meter!”. Aí, já era tarde... Minutos depois, saí avariado do brinquedo, com a sensação de ter ficado horas passando por aquelas guinadas repentinas e mudanças súbitas de altitude. Não sei por que, mas esta experiência inesquecível me lembra muito a vida que levamos diariamente. Estamos todos dentro de uma montanha russa.

Quando conheço uma nova pessoa e inicio com ela qualquer tipo de relação, embarco em um carrinho zerado, que também passará pelas reviravoltas e surpresas que qualquer caminho apresenta. Chacoalhados pelo tempo, nem sempre conseguimos nos manter nos trilhos, fechamos os olhos para não ver o trajeto, desaprendemos a observar o que acontece ao nosso redor.

Um namoro, se o soubermos sentir como tal, também pode ser uma montanha russa cheia de adrenalina e emoções, repleta de altos e baixos, curvas e desencontros, sustos e deslumbramentos. É claro que é muito bacana encarar desafios radicais – não pra mim, é claro –, nos sentir vivos através de experiências novas, entretanto, não me conformo que busquemos isso sempre fora de nós. Muita adrenalina se transforma, cotidianamente, em marasmo, pois nos falta um olhar sensível para percebê-la.

Uma simples tarde com os amigos pode ser tão emocionante quanto a descida da montanha russa, um momento banal entre duas pessoas que se amam pode proporcionar tanta adrenalina e deslumbre quanto uma descida no kaboom, um abraço confortante pode se tornar tão inesquecível quanto um salto de bungee jump.

É perfeitamente normal e saudável que busquemos outras formas de nos sentir vivos e com sangue correndo nas veias, mas isto se torna perigoso demais quando passamos a não perceber que nossa existência pode ser excitante todos os dias. Adrenalina é o que não falta na montanha russa da vida.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Coração congelado

Minha decisão está tomada: vou congelar meu coração. Aproveitem os últimos batimentos quentes deste coração que mais parece uma alegoria de escola de samba: batuca tanto, que me deixa surdo; tem tantas cores, que me confunde; tantas alegorias, que me perco; este meu coração tem tanto samba que sou eu quem acabo dançando no fim das contas.

Vou congelar meu coração antes que ele endureça, vou paralisá-lo para que ele não continue me paralisando diante de inúmeras circunstâncias da vida. Nem me venha com estes clichês como os que eu tinha antes de tomar esta decisão. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três... Coração vendido para o Pólo Norte, exportado para as terras geladas, de onde seu calor não vai mais me deixar noites sem dormir, não vai me causar calafrios, não vai passar pela evaporação e se transformar em chuva que deságua pelos olhos. Tchauzinho, coração...

Estou dando adeus a este coração que tantas vezes me vez verbalizar o que deveria ter ficado calado, me despedindo deste moleque sapeca que sempre insiste em me pregar peças, me colocar em situações que me exigem paciência, conquista, espera. Não quero mais este coração que me testa, que me põe à prova todos os dias, encharcado de amor pelos outros, de amor, amor, amor... Pronto: por ser tão teimoso, já estou te colocando no freezer.

Vai passar uns tempos no congelador pra aprender a ser coração de gente, e não este coração que poetiza, enche a vida de lirismos e personagens, mas depois não sabe como dar fim à história de cada um deles. Meu coração é um artista de primeira grandeza, Leonardo da Vinci purinho. Pinta quadros que ninguém vê, esculpe sentimentos que ninguém aproveita, compõe canções e as expõe em um teatro vazio. Enfim, é completo: até escrever ele escreve. É uma pena que não saiba modificar os rumos dos próprios capítulos.

É por ter este coração tão sem vergonha, sem pedigree, é que estou aqui, encomendando uma forma de mandá-lo direto para a era glacial. Mas, ele é forte, resiste, insiste, não entra no caminhão, não perde o fôlego nem o ritmo. Tem tanto calor que derrete até a minha vontade em extraviá-lo.

Meu coração é de carne, do gênero humano, mas resiste ao gelo. Mesmo abaixo de zero, não congela nem petrifica. Ele não me obedece, só escuta a própria voz, só segue a própria intuição.

Pensando mellhor, ainda bem que nenhum gelo é capaz de petrificar meu coração, de impedir que ele me aqueça e queime, pois um coração congelado representaria o congelamento da minha própria vida, que, isolada em seu resfriamento, acabaria morrendo de frio.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Vulcão em erupção

Passava uma reportagem na TV a respeito de atividades vulcânicas pelo mundo, quando ela se viu, enfim, entrar em erupção. Pegou papel e caneta, sentou-se, sozinha, à mesa da sala e começou a expelir seus sentimentos, que despertaram quentes como fogo, devastadores como larvas.

“Pronto, aconteceu. Meu coração resolveu explodir, e agora, salve-se quem puder – salve-me quem puder. Seu olhar está me queimando, está aquecendo terras que há muito tempo não sabiam o que era calor. Pára, sai de perto de mim com este sorriso que me faz querer sorrir também, vai pra longe com esta voz que me dá vontade de calar só para poder ouvi-la melhor, sai de dentro do meu coração, pois não sei até quando conseguirei fingir que você não está ocupando a sala inteira. Sai daqui, antes que eu tenha que me expulsar para que a sua presença reine absoluta.

Meus disfarces são de quinta categoria, feitos por um alfaiate que não aprendeu a costurar fantasias para si mesmo. Não sei brincar de esconde-esconde e se eu resolver fazer isso, logo, logo ouvirei dizê-lo: ‘1, 2, 3! Achei você’. Me escondo nos lugares mais óbvios, não tenho a menor criatividade para construir esconderijos fora da minha terra, fora dos limites do meu terreno, fora do meu olhar. Olha só quanta idiotice: agora, por exemplo, estou tentando me esconder neste texto, nestas palavras que só me expõem ao risco de ser achada por todo mundo e me perder de si própria.

Poxa, não fica por perto não. Este seu abraço tá me tirando de um sono profundo, mas não parece capaz de me segurar quando a lucidez, finalmente, chegar. Estou em erupção! Esta carta está derramando sentimentos que queimam feito larvas, que latejam feito fogo. Estou me derramando junto com eles e tenho quase certeza que você nem imagina que é por você. Mas é, garoto. Sai daqui enquanto ainda dá tempo de você não me ganhar de mim.

Vê se me entende, colabora aí, vai. Faça o que você quiser, fique com quem te der na telha, só não me invade com esta risada que me inunda, só não me engana com este abraço que me aquece, só não me fala com esta boca que não quer me beijar. Se toca, cara. Cai fora deste barco porque o estou remando sem direção, salta deste trem desgovernado enquanto ainda dá tempo, corre deste circo onde o palhaço não sabe como fazer graça.

Estou te desejando. Desejando ficar ao seu lado durante os jogos da próxima Copa do Mundo, desejando não sair de perto quando todos forem para longe, desejando a tua presença para não fazer valer a minha ausência. É em você que penso quando jogo moedinhas para o alto na fonte dos desejos, é o teu nome que eu chamo quando me esqueço do meu, é o seu carinho que eu quero quando nada mais acalenta.

Sai de perto, vai pra longe, cai fora. Estou em erupção depois de muito tempo adormecida, estou pegando fogo após um longo período de sono profundo. Minha erupção é honesta, bruta, sincera, calada. Meu fogo sai na forma de sua matéria mais oposta: água. São através das lágrimas que consigo expelir minhas larvas mais quentes. Estou em atividade! Meu vulcão interior acordou e agora sou quem não durmo direito”.

Terminando de escrever estas palavras, ela dobrou o papel e o colocou dentro de um envelope de carta. Foi até a casa dele e se depositou na caixinha dos Correios.

Quando nós estamos em erupção, só queimando é que conseguimos nos curar novamente.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pra rua me levar

“Divã” é o livro que mais marcou minha vida até hoje. Escrita por Martha Medeiros - uma de minhas musas inspiradoras -, a história de Mercedez foi parar também nas telonas. No filme, a protagonista ganha vida na pele de Lília Cabral, uma atriz dotada de tanto talento que elogiá-la aqui seria redundante.

A trilha sonora do longa “Divã” o torna uma obra ainda mais completa, onde todos os elementos estão em sintonia, se completam. Entre as músicas que embalam as idas e vindas de Mercedez está “Pra rua me levar”, sucesso consagrado na voz de Ana Carolina.

A canção mencionada dá o tom das cenas finais do filme. “Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender...” É ao som destes versos que Mercedez sai de cena; é com eles que vou entrar: também quero que a rua me leve.

Vou deixar a rua me levar até onde meus pés nunca pisaram por medo, até onde minhas mãos nunca tocaram por frieza, até onde meus olhos nunca alcançaram por falta de idealismo. Quero que a rua me leve aos meus caminhos mais desconhecidos, me ajude a encontrar meus mananciais mais secretos e escondidos, que por isso mesmo são os mais límpidos e claros. Vou deixar a rua me levar para o que não conheço e recuso pelo excesso de lucidez.

Vou deixar a rua me levar para onde nunca fui, para caminhos que já conheço mas quero redescobrir, para pessoas que já amo mas quero reencontrar, para gostos que já sei mas quero saborear novamente. Vou com a rua experimentar os meus excessos, na tentativa de conseguir contê-los, antes que eles contenham a mim. Quero que a rua me leve aos mendigos que sou quando suplico pelo amor de alguém, às prostitutas em que me transformo quando vendo minhas opiniões e mantenho-me alheio a minha própria vontade, aos assaltos que realizo quando roubo de alguém o direito a verdade. Vou deixar a rua me levar para o que sou e desprezo pelo excesso de hipocrisia.

Quero que a rua me leve aos becos e vielas, complexos e favelas, jardins e precipícios, vidas e desperdícios. Vou ao encontro do que perdi tentando encontrar nos outros o tom da minha própria melodia, vou em direção ao que construí em terrenos que não me pertencem, ao que entreguei de bandeja nas mãos de destinatários errados. Com a rua quero encontrar o sórdido, o imperfeito, o que não é límpido em mim mas insisto em disfarçar, o que não sinto mas cismo em inventar, o que não quero e acabo por aceitar. Vou deixar a rua me levar para os personagens que me tornei não sendo eu.

Quero que a rua me leve ao amor que não cala pelo receio de ser vivido, até onde não se morre por medo da vida, ao local onde esquecemos que o essencial só faz diferença quando dito.

Vou deixar a rua me levar, e quando a cidade se acender a lua vai banhá-la, me lembrando de que meu maior desejo será sempre o de ser iluminado por dentro para conviver bem com as curvas das ruas que me conduzem pra fora.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Fantasias

Eu tenho as minhas, você tem as suas, o rapaz tímido que cruzou o seu caminho hoje de manhã tem as dele, e até a beata da esquina, que vive com a bíblia embaixo do braço, tem as dela. Não há quem possa suportar a realidade sem cultivar um punhado de fantasias.

Existem algumas épocas do ano das quais a gente vira refém, e carnaval é uma delas. Agora deram pra inventar que somente nestes quatro dias do ano é que podemos tirar nossas fantasias do armário. Milhares de pessoas estão economizando seus desejos para viver todos, de uma só vez, durante horas anestesiadas pela folia, durante momentos com a própria voz abafada pelo axé, durante situações em que a lucidez tem medo até da própria loucura. Não é à toa que muitos corações morrem de overdose ao longo do carnaval.

“Custei a compreender que a fantasia é um troço que o cara tira no carnaval e usa nos outros dias por toda a vida”. Palavras de João Bosco e Aldir Blanc, ícones da Música Popular Brasileira. Ao contrário do que muitos pensam, é no carnaval que quase todos se despem, utilizando por fora as fantasias que expressam aquilo que insistem em esconder por dentro.

Seria melhor se respeitássemos nossas fantasias enquanto elas fossem por inteiro, genuínas, originais de fábrica. Seria bem mais bacana se nosso bloco desfilasse quando desse na telha, quando a colombina que pula em nosso olhar resolvesse fazer bagunça na sala, quando nos desse aquela louca vontade de enfeitar a vida com confetes e serpentinas. O que me entristece no carnaval é perceber que é preciso tanto alvoroço para presenciar o trivial: a folia dos palhaços que trazemos guardados na saudade.

Entre fantasia e loucura há um pequeno, porém significante fio. Fantasia é acreditar que por um instante o céu conversa conosco, é vislumbrar na multidão o silêncio contido em todo aquele barulho, é se permitir fugir da sensatez por alguns momentos, é experimentar uma primeira vez de novo. Loucura é excesso, é falta, é a fantasia virada do avesso, é o desejo que sucumbiu.

Gosto mais das fantasias que deixamos para viver entre quatro paredes com aquela pessoa especial, dos nossos desejos mais íntimos e secretos, aqueles que nos reconciliam com nossa parte mais escondida e misteriosa. Fantasias que nos tornam melhores, que restabelecem nosso brilho no olhar, que nos convencem que a realidade não é nada sem um pouco de sonho.

De fato, as melhores fantasias são aquelas que não precisarão virar cinzas quando a quarta feira chegar.