Essa semana, tomei conhecimento de um fato que me deixou perplexo. Um dos pastores protestantes mais conhecidos da atualidade, Silas Malafaia espalhou centenas de outdoors pela cidade do Rio de Janeiro, os quais traziam a seguinte mensagem: “Em favor da família e preservação da espécie humana”, finalizada com um versículo bíblico que afirma que “Deus fez macho e fêmea”.
De modo cada vez mais assustador, inúmeras religiões utilizam a Bíblia para embasar e justificar seus ataques a diversos grupos existentes na sociedade. No entanto, em uma de suas obras, o padre Fábio de Melo alerta para os perigos de transformar as Sagradas Escrituras em um álibi do pensamento negativo humano. “Tenho medo quando o discurso religioso é utilizado para responder de forma mágica a questões que são humanas, sangradas no asfalto das cidades, em lugares que nossos olhos não alcançam. (...) Como homem da religião, tenho constatado que o discurso religioso, quando mal aplicado, pode ser tão nocivo quanto o discurso desumano dos assassinos”, revela o sacerdote.
Com o perdão da palavra, a manifestação de Silas Malafaia soou para mim tão nociva quanto o discurso desumano de qualquer pessoa, menos de um líder que deseja nos aproximar de Deus. Privar uma pessoa do direito de amar é também uma forma de matá-la, de retirar-lhe parte da vida e a abandonar no vazio de uma vida que não é vivida de forma plena. Assim como não posso acreditar que exista um Deus isolado da natureza, do mar, da sacralidade de um abraço e das demais belezas sublimes da vida, me recuso a crer que nós possamos existir longe das belezas de nossa própria natureza.
Sou contra o aprisionamento dos pássaros e tolher de uma pessoa o direito de amar apenas porque ela se sente atraída por alguém do mesmo sexo é, aos meus olhos, tão maldoso quanto cortar as asas de uma ave e impedi-la de voar; é tão vil quanto colocar um inocente atrás das grades; é tão cruel quanto crucificar o Nazareno.
Infelizmente, grande parte dos movimentos religiosos se valem de Deus para tornarem-se juízes da sociedade em que se inserem, no entanto, tornam-se tão cegos quanto a justiça dos homens. Pregam um céu, mas condenam seus fiéis ao inferno de um aprisionamento de ideias, onde só vale o que está escrito. Assim, parece que Jesus tem vários donos no mundo moderno, pessoas que se apropriam de seu nome e passam a utilizá-lo como forma de assassinar moralmente aqueles que discordam de suas crenças.
Muitos cristãos estão se transformando em assassinos em série, matando sonhos e destroçando esperanças, deixando de visitar os que passam fome de justiça, os que têm sede de amor, os que estão nus por causa do preconceito, os que estão presos nas celas da depressão.
Deus fez macho e fêmea, mas também nos deu coração para que consigamos agir como tais. Chamam os homossexuais de aberração e os consideram uma ameaça à família. Nada disso. Está para nascer aberração pior do que coroar com espinhos quem só quer ter o direito de amar fora do sepulcro.
De modo cada vez mais assustador, inúmeras religiões utilizam a Bíblia para embasar e justificar seus ataques a diversos grupos existentes na sociedade. No entanto, em uma de suas obras, o padre Fábio de Melo alerta para os perigos de transformar as Sagradas Escrituras em um álibi do pensamento negativo humano. “Tenho medo quando o discurso religioso é utilizado para responder de forma mágica a questões que são humanas, sangradas no asfalto das cidades, em lugares que nossos olhos não alcançam. (...) Como homem da religião, tenho constatado que o discurso religioso, quando mal aplicado, pode ser tão nocivo quanto o discurso desumano dos assassinos”, revela o sacerdote.
Com o perdão da palavra, a manifestação de Silas Malafaia soou para mim tão nociva quanto o discurso desumano de qualquer pessoa, menos de um líder que deseja nos aproximar de Deus. Privar uma pessoa do direito de amar é também uma forma de matá-la, de retirar-lhe parte da vida e a abandonar no vazio de uma vida que não é vivida de forma plena. Assim como não posso acreditar que exista um Deus isolado da natureza, do mar, da sacralidade de um abraço e das demais belezas sublimes da vida, me recuso a crer que nós possamos existir longe das belezas de nossa própria natureza.
Sou contra o aprisionamento dos pássaros e tolher de uma pessoa o direito de amar apenas porque ela se sente atraída por alguém do mesmo sexo é, aos meus olhos, tão maldoso quanto cortar as asas de uma ave e impedi-la de voar; é tão vil quanto colocar um inocente atrás das grades; é tão cruel quanto crucificar o Nazareno.
Infelizmente, grande parte dos movimentos religiosos se valem de Deus para tornarem-se juízes da sociedade em que se inserem, no entanto, tornam-se tão cegos quanto a justiça dos homens. Pregam um céu, mas condenam seus fiéis ao inferno de um aprisionamento de ideias, onde só vale o que está escrito. Assim, parece que Jesus tem vários donos no mundo moderno, pessoas que se apropriam de seu nome e passam a utilizá-lo como forma de assassinar moralmente aqueles que discordam de suas crenças.
Muitos cristãos estão se transformando em assassinos em série, matando sonhos e destroçando esperanças, deixando de visitar os que passam fome de justiça, os que têm sede de amor, os que estão nus por causa do preconceito, os que estão presos nas celas da depressão.
Deus fez macho e fêmea, mas também nos deu coração para que consigamos agir como tais. Chamam os homossexuais de aberração e os consideram uma ameaça à família. Nada disso. Está para nascer aberração pior do que coroar com espinhos quem só quer ter o direito de amar fora do sepulcro.
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